Alfric: O Monstro que Manipula a Fé

Criar Alfric foi, talvez, uma das experiências mais desconfortáveis que tive enquanto autora.

Porque Alfric não é apenas um vilão. Seria mais fácil se fosse. Monstros simples não assustam verdadeiramente ninguém. O que me perturbava enquanto o escrevia era precisamente o contrário: a forma como ele consegue parecer humano, respeitável… até necessário dentro de Montclaire.

Quis criar um homem capaz de manipular através da fé, da inteligência e do medo. Um personagem que entende profundamente a natureza humana e que usa as fraquezas dos outros como degraus para subir mais alto. Alfric não acredita verdadeiramente em pureza, redenção ou moralidade. Acredita em poder e percebeu muito cedo que poucas coisas dão mais poder do que controlar aquilo que as pessoas temem.

Enquanto escrevia os seus sermões, os seus silêncios e os seus jogos psicológicos, apercebi-me de algo inquietante: Alfric não se vê como vilão. Na mente dele, tudo tem uma justificação. Tudo faz parte de uma ordem maior onde apenas os fortes sobrevivem.

Talvez seja isso que o torna tão perigoso.

Ele não grita. Não enlouquece. Não age por impulso. Observa. Espera. Manipula. Corrói lentamente.

Em muitos aspetos, Alfric representa o lado mais sombrio de Montclaire: um mundo onde a fé pode ser usada como arma, onde o medo vale mais do que o amor e onde os monstros nem sempre escondem o rosto nas sombras.

E talvez o mais assustador seja isto: enquanto autora, houve momentos em que escrever Alfric me pareceu demasiado fácil.

🖤 Padre Alfric
Anne — O Eco das Almas Perdidas
Dark Fantasy • Gothic Fantasy • Medieval Fantasy

M. V. Patrice

mvpatrice.wordpress.com

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